SUPER-HERÓIS OU SUPERARMAS?

No início do século XXI, a editora Marvel Comics promoveu uma modernização e atualização de seus personagens para a realidade dos anos 2000 através da linha de histórias denominada Ultimate Marvel. Nesse novo selo da editora, personagens clássicos como Capitão América, Hulk e Homem de Ferro passaram a ter suas origens atreladas a atualidade, fugindo das perspectivas iniciais de suas histórias lançadas nas décadas de 40, 50 e 60.

Tal reformulação, gerou novas problemáticas e dilemas dentro das histórias em quadrinhos, representando os super-heróis que conhecemos através de outro viés, pensando seus poderes e habilidades por meio de uma ótica ligada a guerra e o jogo mundial de poder. É nesse contexto que a Marvel Comics apresenta uma nova equipe: Os Supremos, um grupo de heróis análogos aos Vingadores que conhecemos, embora seus objetivos e seu papel no mundo sejam completamente opostos ao bem comum e a proteção dos fracos e oprimidos.

Nessa nova realidade ligada ao contexto do século XXI, os heróis membros da equipe Os Supremos ganham contornos mais verossímeis, Thor por exemplo não é um deus nórdico e sim um ambientalista que utiliza seus poderes para frear as mudanças climáticas. Não só os personagens se alteram como o próprio objetivo da formação do grupo se distingue do ideal heroico que estamos acostumados a enxergar: aqui, Os Supremos se unem como um grupo organizado pelo governo dos Estados Unidos com o objetivo de compor a segurança nacional.

Nesse sentido, devemos considerar o papel dessa equipe de super-heróis como uma analogia direta as políticas nacionais e internacionais promovidas pelos EUA no início do século XXI embasadas na Guerra ao Terror propagada após os ataques terroristas às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001.

Heróis como o Capitão América e o Hulk são dotados de capacidades extraordinárias que deixariam qualquer exército em desvantagem. O que ocorreria caso esses personagens fossem utilizados como superarmas? A história dos Supremos imagina a atuação dos super-heróis em defesa da segurança nacional estadunidense, contudo, a problemática dos quadrinhos vai além da ficção quando se conecta com a realidade mostrando que o pretexto inicial de assegurar a defesa global frente a ameaças terroristas foi subvertido em prol de interesses econômicos e políticos particulares, transformado Os Supremos em uma parte do arsenal norte-americano na invasão de outros países.

Desse modo, o questionamento “super-heróis ou superarmas?” se torna mais atual do que nunca, afinal, a utilização de super-heróis em guerras e políticas de segurança nacional desfiguram o próprio papel desses personagens em suas histórias. Agindo sob ideologias e em nomes de governos, os super-heróis acabam perdendo sua capacidade de “salvar o dia” em prol de um objetivo político. No entanto, essa mudança de papel dos personagens na história em quadrinhos Os Supremos deve ser encarada como uma crítica ao contexto atual recheado de bombas nucleares e tensões internacionais em todos os cantos no globo que nos fazem nos perguntar sobre a escalada bélica interminável que a humanidade alcança dia após dia.

           

 

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